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Obra de Siron Franco, Árvore da Vida é instalada no HUGO

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Monumento homenageia doadores de órgãos

Com o objetivo de prestar uma homenagem aos doadores de órgãos e seus familiares, o Hospital de Urgências de Goiânia (HUGO) inaugurou o Memorial Árvore da Vida, obra assinada e doada pelo artista plástico Siron Franco. A solenidade de entrega do monumento foi nesta terça-feira, 26 de abril, às 10 horas, na Recepção Social do hospital, e contou com a presença das famílias, de representantes da Central de Notificação, Capacitação e Distribuição de Órgãos de Goiás (CNCDO), do Secretário de Saúde Leonardo Vilela e de outras órgãos do Estado. Às 9h30, antes da solenidade, foi feita a apresentação dos novos leitos de UTI, no primeiro andar do hospital.

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O HUGO é atualmente a unidade de saúde que mais capta órgãos para doação em Goiás, respondendo pela maioria das captações. Em 2014, quando o hospital começou este trabalho, foram coletados no Estado 70 órgãos – entre coração, fígado, pâncreas, rim e pulmão –, sendo que 67 deles foram provenientes de pacientes do HUGO. Ou seja, 95,7% do total. Em 2015, dos 113 órgãos captados para doação em Estado, 82 foram provenientes do HUGO.

Criar um memorial para homenagear doadores é uma forma de valorizar o ato das famílias que, mesmo diante da dor da perda de um ente querido, tiveram a nobreza de ajudar outras pessoas que aguardam por um órgão para transplante. Apesar de ser popular no exterior, a exemplo dos Estados Unidos, no Brasil existem poucos memoriais dedicados a doadores de órgãos. Os estados de Minas Gerais e Paraná contam com obras do gênero.

 

Alto índice de recusa

No Brasil, a doação de órgãos ainda é tabu, por motivos diversos. Por isso, o Ministério da Saúde vem realizando um trabalho de conscientização da população sobre a importância da doação. Afinal, é alto o índice de recusa das famílias em autorizar a retirada dos órgãos de pessoas que tiveram morte encefálica para doação. No HUGO, pode-se constatar este fato. Em média, de dez famílias abordadas na unidade hospitalar, apenas três autorizam a doação. Ou seja, o percentual de recusa chega a 70%. Esta realidade faz parte do cenário nacional. O índice de recusa no Brasil gira em torno de 44% e em Goiás 64%.

Como consequência, a fila de espera por um órgão para transplante não para de crescer. Em Goiás, existem 911 pessoas aguardando; no Brasil inteiro, são 31.915 candidatos, de acordo com os dados divulgados pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Em 2015, no País inteiro, 2.854 pessoas que tiveram morte encefálica foram doadoras. Em Goiás, foram 44. O perfil do doador é, geralmente, pessoa do sexo masculino, vítima de traumatismo cranioencefálico (TCE) ou acidente vascular cerebral (AVC), com idade entre 18 e 49 anos.

Para reverter esta situação, é necessário que ocorra uma mudança de comportamento dos brasileiros. “A conscientização acontece de forma gradual e progressiva. Tem de ocorrer a modificação de uma cultura. E isso demanda tempo e trabalho de todos nós”, aposta Ciro Ricardo Pires de Castro, diretor Geral do HUGO. “Necessitamos e muito aumentar as doações. Mas isso não depende só da gente desejar. Nós precisamos implantar e implementar parcerias com instituições, com profissionais. Precisamos conscientizar a população da importância das doações, porque temos muito doadores em potencial, mas não temos as doações suficientes”, explica Luciano Leão, coordenador da CNCDO.

 26.04.2016 - Reforma UTI II e Arvore da Vida (39)

A obra e o artista

Siron Franco, que é um entusiasta do projeto, não cobrou cachê pelo trabalho. A trajetória do artista, iniciada nos anos 1970, comprova sua forte ligação com questões sociais. A exemplo do acidente radiológico com o césio 137, ocorrido em Goiânia, em 1987, quando pintou a série intitulada Césio; a realização de um memorial dedicado aos povos indígenas, como forma de denunciar o descaso das autoridades diante dessa população; além de outros projetos.

“A iniciativa é maravilhosa. Primeiro porque reconhece a importância da doação de órgãos, que salva vidas e incentiva outras famílias. Segundo por levar a arte para dentro de um hospital”, destaca. “Estou doando meu trabalho. Cresci com sentimento de coletivo, vendo meus pais fazendo trabalho voluntário. Aprendi em casa”, explica o artista para justificar seu gesto. O memorial do HUGO com o formato de árvore é inédito no País. “Será um pequizeiro, onde cada fruto trará as iniciais do nome do doador”, adiantou o artista.